Quase 50 milhões de chaves Pix já vazaram até hoje

No maior caso desse tipo desde 2021, nesta semana, cerca de 47 milhões de chaves de 11 milhões de brasileiros foram expostas por acessos indevidos ao Sisbajud, do CNJ. Desde o lançamento, em novembro de 2020, já vazaram mais de 48 milhões de chaves Pix de diferentes instituições em mais de 20 incidentes, de acordo com o Banco Central (BC). O mais recente, comunicado na noite de quarta-feira (23/7), envolveu 46,9 milhões de chaves de aproximadamente 11 milhões de pessoas, o maior vazamento até hoje. O caso é fruto de acesso indevido ao Sisbajud, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No total, o sistema de pagamentos instantâneo brasileiro contabiliza mais de 858 milhões de chaves cadastradas, de acordo com o BC. Proporcionalmente, então, os mais de 48 milhões de chaves vazadas até hoje representam 5,6% do total. O vazamento de chaves Pix divulgado ontem foi o terceiro caso do tipo em 2025. No ano passado, foram 12 incidentes de segurança desse gênero, número recorde, envolvendo diferentes perfis de instituições – grandes bancos, fintechs e cooperativas. A lista completa dos casos está no site do BC. Vazamento no CNJ De acordo com o CNJ, houve acessos indevidos ao Sisbajud, sistema de busca de ativos financeiros operado pela instituição pública, devido à “captura criminosa de credenciais de usuários”. O CNJ informou que o incidente ocorreu entre os 20/7 e 21/7, , comprometendo dados cadastrais de aproximadamente 11 milhões de brasileiros. Segundo o BC e o CNJ, não houve exposição de dados sensíveis, como senhas, informações de movimentações ou saldos financeiros em contas transacionais, ou quaisquer outras informações sob sigilo bancário. “Os dados acessados foram exclusivamente as seguintes informações cadastrais: nome da pessoa, chave Pix, nome do banco, número da agência e número da conta”, disse o CNJ, em nota. O sistema já voltou à plena operação e as medidas de contenção foram adotadas, afirmou a instituição pública. Na nota, o CNJ disse, ainda, que reforçou os protocolos de segurança, assim como notificou a Polícia Federal (PF) e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), como exige a lei. Já o BC informou que foram adotadas as “ações necessárias para a apuração detalhada do caso”. Contexto O aumento dos incidentes com chaves Pix acompanha o crescimento e consolidação do sistema, hoje o meio de pagamento mais usado no País, mas também o avanço dos crimes financeiros. Não dá para ignorar que, no final de junho, houve a revelação do maior ataque hacker ao sistema financeiro brasileiro. Nos últimos anos, como resposta a essa escalada de fraudes e golpes financeiros, o BC vem subindo a “régua” para as instituições autorizadas, principalmente aquelas que integram o Pix. Desde 1/7 também está valendo uma regra publicada em 2025 de março pelo BC que obriga as instituições participantes do arranjo a garantirem que os nomes das pessoas e empresas vinculadas às chaves Pix batem com aqueles que estão nas bases de CPF e CNPJ da Receita Federal. Fonte: Finsiders Brasil

Só 6% dos brasileiros pagam com dinheiro físico; Pix vira opção preferida

A chegada do Pix revolucionou os hábitos dos brasileiros e derrubou para 6% o percentual de brasileiros que utilizam frequentemente o dinheiro físico como forma de pagamento, mostra levantamento realizado pelo Google. O que aconteceu Percentual de brasileiros que usam dinheiro cai de 43% para 6% em cinco anos. A variação entre 2019 e 2024 foi apresentada pela pesquisa “Pagamentos em Transformação: do Dinheiro ao Código”, realizado pelo Google. Somente na passagem de 2023 para 2024, a utilização de cédulas e moedas recuou 11 pontos percentuais. Estudo com base na visão do consumidor justifica os resultados. Thais Melendez, líder de insights estratégicos do Google, explica que os valores condizem com a lembrança da população de ter utilizado outros meios de pagamento. “Do ponto de vista do consumidor, o dinheiro físico passou a ter um uso pontual, para ocasiões específicas. O que a gente usa mesmo no dia a dia passou a ser as transações digitais, o Pix e o cartão de crédito”, afirma ela. Dados do BC ainda apontam para uso do dinheiro. Volume de dinheiro em circulação cresceu 13,74% em cinco anos. Dados oficiais do BC (Banco Central) mostram a evolução constante do meio circulante, que terminou o ano passado com 7,72 bilhões de cédulas nas mãos da população. Apenas em 2024, a alta foi menor, de somente 0,99% em relação ao ano anterior, mas apresenta um resultado na contramão do apresentado pelo Google. Banco Central diz acompanhar a evolução dos hábitos da população. Em relatório realizado no ano passado, a autoridade monetária avaliou que 31,7% dos brasileiros ainda utilizam o dinheiro físico com certa frequência. O resultado é 12,5% menor do que aquele contabilizado pelo mesmo levantamento em 2021. Metade dos brasileiros quer abandonar o dinheiro físico em cinco anos. O levantamento do BC mostrou ainda que 53,4% revelaram o interesse de abandonar totalmente o uso das cédulas físicas até 2030. Para 31,6%, a frequência de utilização será reduzida e outros 8,7% preveem a manutenção da frequência. Protagonismo do Pix Abandono do dinheiro físico é justificado pela ascensão do Pix. O meio de pagamentos instantâneos criado em novembro de 2020 lidera a preferência dos brasileiros. Segundo o levantamento do Google, o Pix foi utilizado por 93% dos brasileiros e representou quase metade (47%) das transações de pagamento no Brasil. Acesso da população à rede bancária contribui para sucesso do Pix. A digitalização e a evolução do número de bancarizados durante a pandemia são lembradas por Melendez como fatores determinantes para a aceitação do sistema do BC. “O brasileiro tem computadores, celulares e acesso a outros meios digitais para realizar pagamentos, além de ser uma população muito favorável às novidades”, observa ela. O Pix é o produto com maior adoção e com maior crescimento em utilização.Thais Melendez, líder de insights estratégicos do Google. Adesão ao Pix é generalizada em todos os grupos sociais. Conforme o estudo, o meio de pagamentos é aquele mais utilizado entre a população de todas as idades, faixas de renda e regiões. Ainda assim, aparecem em destaque as preferências das classes D e E (74%) e entre os pagadores da geração Z (76%). “Mas mesmo para a população que tem mais de 55 anos, o Pix ainda é o meio preferido para 42%”, destaca Melendez. Segurança e facilidade estimulam os meios de pagamento. A pesquisa do Google mostra as avaliações no topo das motivações, com 41% e 37% das menções, respectivamente. Na sequência, aparecem a isenção de taxas para utilização (36%), o recebimento de desconto pelo uso do meio de pagamento (33%) e a agilidade (32%). A liderança das preferências ajuda a entender a ampla adesão ao Pix. Utilização do pagamento instantâneo entre as empresas também aumenta. O valor das transações de pagamentos via Pix para pessoas jurídicas cresceu 53% diante da aceitação do meio de pagamento em 91% dos estabelecimentos. “As pessoas estão pagando mais para empresas e negócios, comprando mais, utilizando o Pix e fazendo compras de mais alto valor”, analisa a líder de insights do Google. Uso de cartões segue frequente Pagamentos no crédito ou débito mantêm participação no dia a dia. A utilização dos mecanismos foi mencionada por, respectivamente, 83% e 74% dos entrevistados pelo levantamento do Google. “O cartão de crédito se mantém como segundo meio de pagamentos mais utilizado nos últimos cinco anos, mostrando solidez”, diz Melendez ao ressaltar a presença média de dois cartões por pessoa. Para 58% da população, cartão de crédito passou a ser mais utilizado. A avaliação considera que 20% dos consumidores são atraídos por recompensas de benefícios. O mesmo percentual é mencionado por aqueles que tiveram seu limite para transações ampliado. Os benefícios favoritos são a ausência de anuidade (81%) e programas de fidelidade (57%). Fonte: UOL

Ataque hacker e criptomoedas: por que boa parte do dinheiro levado no “roubo do século” pode ter se perdido para sempre

Especialistas consultados pelo Seu Dinheiro alertam: há uma boa chance de que a maior parte do dinheiro roubado nunca mais seja recuperada — e tudo por causa do lado obscuro dos ativos digitais O noticiário brasileiro desta semana virou um prato cheio para os aficionados por casos criminais. Em um roubo que entrou para a história, hackers acessaram o sistema de uma prestadora de serviços do sistema financeiro, rasparam em torno de R$ 1 bilhão de diversas contas, segundo estimativas, e fugiram diretamente para as sombras das criptomoedas. Um combo perfeito para uma história policial de prestígio. Apesar de gerar um interesse voraz para quem lê sobre o tema, a comoção do “roubo do século” é outra para as empresas atacadas, que tiveram prejuízos significativos com o assalto. A C&M Software, empresa situada no epicentro da ação criminosa, diz que “não confirma valores, pois não é agente financeiro nem parte na titularidade dos recursos”. Com isso, o verdadeiro tamanho do rombo causado pelo ataque hacker ainda permanece um mistério. Entretanto, especialistas alertam: há uma boa probabilidade de que a maior parte desse dinheiro nunca mais seja recuperada — e tudo por causa do lado obscuro dos ativos digitais, que emergem como um refúgio para os criminosos esconderem os rastros de seus roubos. Ataque hacker: onde foi parar o dinheiro? Parte do dinheiro roubado pelos hackers foi recuperada, incluindo cerca de R$ 180 milhões da BMP.  Essa recuperação ocorreu por meio do MED (Mecanismo Especial de Devolução), um protocolo previsto pelo Banco Central no Pix para devolução de valores em casos de fraude.  Outra ferramenta também auxiliou na recuperação enquanto as operações de Pix dos clientes da C&M estavam desligadas temporariamente: o Sistema de Transferência de Reservas (STR) interbancário do Banco Central, utilizado para a realização de transferência de fundos entre instituições financeiras. Além disso, uma conta com R$ 270 milhões, usada para receber o dinheiro desviado, já foi bloqueada pelas autoridades locais. Mas a leitura inicial de especialistas consultados pelo Seu Dinheiro indica que apenas as cifras que permaneceram nas contas financeiras dos criminosos puderam ser devolvidas. Isso porque, até cair nas contas, o dinheiro estava sendo rastreado. Mas, como os fraudadores também tinham conhecimento sobre o mecanismo de devolução do Pix, eles tiram o dinheiro das contas muito rapidamente — e logo converteram boa parte do montante em criptomoedas. Um levantamento obtido pelo Crypto Times mostra um aumento desproporcional no volume negociado em corretoras de criptomoedas (exchanges) no dia do ataque hacker, em plataformas como a Binance, Bity, Bitso, Mercado Bitcoin (MB) e Foxbit. O maior aumento no volume negociado ocorreu na Binance, que saltou mais de R$ 430 milhões. Em um único dia, o volume negociado na corretora foi três vezes maior do que a média mensal. Em alguns casos, houve um aumento de mais de 700% em volume negociado em apenas um dia. Dinheiro roubado no assalto virou criptomoeda. E agora? Até a última quinta-feira (3), a Polícia Civil estava totalmente concentrada em identificar e prender o suspeito insider na C&M, que ajudou os hackers a acessarem os sistemas. Foi só a partir da sexta-feira que os esforços mudaram para construção de uma força-tarefa para congelamento e rastreio dos ativos suspeitos. Na leitura de Marcos Zanini, especialista em cibersegurança e CEO da Dinamo Networks, porém, o dinheiro roubado que foi transformado em criptomoeda pode ter se perdido para sempre. Isso porque as transações com criptomoedas possuem chaves de acesso únicas. No entanto, elas não permitem acesso aos dados de quem detém a carteira (wallet). Ou seja, ainda que seja possível rastrear que o dinheiro roubado foi convertido na criptomoeda A, B ou C e alocado em uma determinada wallet, não é possível recuperar este montante, uma vez que as redes cripto não possuem um dono ou controlador. “Como a chave não é nominal, você perde totalmente a rastreabilidade. Por isso, dificilmente o que virou cripto vai voltar. Depois que virou criptomoeda, eu acredito que não recupera mais esse dinheiro roubado”, afirmou Zanini. “Essa é coisa linda e, ao mesmo tempo, horrível, das criptomoedas. Vamos supor que você tenha medo de o governo confiscar seu dinheiro, a criptomoeda é uma coisa que salva, porque ninguém, nem mesmo o governo, tem autonomia de sacar. Mas é a mesma coisa quando o fraudador faz isso: ninguém tem a condição de pegar o dinheiro dele”, acrescentou. Na mesma linha, Valter Rebelo, analista da Empiricus Research, afirma que, uma vez que os hackers distribuíram esses R$ 1 bilhão entre bitcoin e USDT, “não tem o que fazer”.  “Porque o criminoso nem precisa transferir o dinheiro para eventualmente se liquidar dele e lavar esse dinheiro. O mercado sabe onde estão esses bitcoins, mas não há como recuperar. A blockchain opera como se fosse uma rede de caixas de correio, só que os detentores possuem as próprias chaves”, disse Rebelo. Ataque hacker e dinheiro em criptomoedas: a responsabilidade fica com as exchanges de criptomoedas? Se o dinheiro roubado caiu em uma corretora (exchange) de criptomoedas, essa exchange não estaria responsável por bloquear transações ilícitas? Em teoria, sim.  Porém, como o Banco Central não tem autoridade para regular corretoras que não sejam sediadas no Brasil, acaba em um limbo regulatório, segundo o CEO da Dinamo. Vale destacar que, há algumas semanas, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que plataformas que realizam transações com criptomoedas têm responsabilidade e podem ser obrigadas a reparar danos causados por fraudes em operações protegidas por senha e autenticação de dois fatores.  No entendimento do STJ, nem mesmo ataques de hackers tirariam a responsabilidade das plataformas, a menos que fosse, de fato, comprovada a culpa exclusiva do cliente ou de terceiros. Porém, ainda não se sabe como isso será aplicado na prática. “Se isso tivesse acontecido em uma rede permissionada, como o Drex, seria 100% reversível, porque todas as operações dentro de uma blockchain permissionada estão sob o controle do Banco Central. Se esse dinheiro tivesse sido pulverizado em 10 mil contas, daria para rastrear exatamente para quais contas entrou. Quando você vai com uma blockchain pública, como são as criptomoedas, elas não tem alguém dono, então não há rastreabilidade”, afirmou Zanini. Uma carteira de autocustódia, Truther, elevou os

Pix faz ‘faxina’ e 8 milhões de chaves serão excluídas; você está na lista?

Limpeza atinge 1% dos cadastros, mas pode afetar milhões; entenda quem está na mira das novas regras do Pix A partir desta terça-feira (1º), entram em vigor novas regras do Pix que prometem apertar o cerco contra fraudes. A mudança afeta diretamente cerca de 8 milhões de chaves cadastradas, que poderão ser excluídas nos próximos dias. O objetivo? Acabar com irregularidades como chaves atreladas a CPFs de pessoas já falecidas ou com erros cadastrais graves – uma brecha que vinha sendo explorada por golpistas. A medida foi anunciada pelo Banco Central, responsável pela criação e administração do Pix. Agora, os bancos e instituições de pagamento deverão checar, diretamente com a Receita Federal, os dados vinculados às chaves Pix sempre que houver movimentações como registro, mudança de titularidade ou pedido de portabilidade. Quem pode ser afetado? Segundo o Banco Central, apenas 1% do total de chaves cadastradas será impactado – mas isso representa milhões de registros. Entre as chaves de pessoas físicas, o pente-fino vai atingir: Já entre pessoas jurídicas, serão excluídas as chaves vinculadas a CNPJs que: A exclusão dessas chaves está prevista para começar ainda em julho, conforme as novas regras do Pix. E as fake news? Desde o anúncio da medida, circulam boatos nas redes sociais dizendo que pessoas com nome sujo ou dívidas com a Receita teriam o Pix bloqueado. Mas o próprio Banco Central desmentiu: as novas regras não têm qualquer relação com inadimplência ou débitos tributários. O que está em jogo é apenas a regularidade cadastral junto à Receita Federal. Como se dará a exclusão? As instituições financeiras e de pagamento deverão verificar o cadastro sempre que houver um procedimento relacionado a chaves Pix, como registro, mudança de informações, pedido de portabilidade ou reivindicação de posse. Caso seja constatada alguma das irregularidades acima, a chave deverá ser excluída. Quem deve impostos terá chave excluída? Não. O BC esclareceu que a inconformidade de dados cadastrais de CPF e de CNPJ não tem relação com o pagamento de tributos, apenas com a identificação cadastral do titular do registro na Receita Federal. Quem está com o nome sujo deixará de fazer Pix? Não. Esta é uma fake news que passou a ser espalhada nos últimos dias. As novas regras do Pix só abrangem quem tem problemas cadastrais na Receita Federal. O que mudará nas chaves aleatórias? Pessoas e empresas que usam chaves aleatórias (combinação de letras e números) não poderão mais alterar informações vinculadas a essa chave. Agora, o usuário precisará excluir a chave aleatória e criar uma nova, com as informações atualizadas. O que mudará nas chaves vinculadas a e-mails? A partir de abril, a chave do tipo e-mail não poderá mais mudar de titular. Não será mais possível migrar a chave de um dono para outro. Haverá mudanças nas chaves vinculadas a número de celular? Não. As chaves do tipo celular poderão mudar de titular e de conta. Segundo o BC, a possibilidade de alteração foi mantida por causa da troca frequente de números de telefone, principalmente de donos de linhas pré-pagas. Qual o principal objetivo das novas regras do Pix? Aumentar a segurança no Pix, ao inibir o uso de chaves com nomes diferentes da base de dados da Receita Federal, no caso do CPF e do CNPJ e impedir a transferência de chaves para terceiros, no caso de chaves aleatórias e de e-mails. Devolução de qualquer valor dos dispositivos não cadastrados Desde novembro de 2024, caso uma conta transferisse para uma outra conta existente sem chave Pix criada, a devolução seria limitada a R$ 200. BC retornou a norma antiga e retirou o limite para esse tipo de transação. É possível verificar se o CPF está em situação regular? Sim. A consulta pode ser feita na página da Receita Federal, na aba “Comprovante de situação cadastral”. É possível regularizar o CPF? Sim, mas apenas por quem está com o CPF suspenso. A regularização a partir das novas regras do Pix pode ser feita na página da Receita Federal, preenchendo um formulário. Fonte: ND+

R$ 1 bilhão: Esse foi o maior roubo da história do PIX

Um ataque hacker sem precedentes à empresa C&M Software já está sendo chamado por especialistas de bastidores de “roubo do século”. A ofensiva cibernética atingiu diretamente a infraestrutura que conecta bancos e fintechs ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e ao ambiente de liquidação do Pix, com estimativas que apontam para o desvio de até R$ 1 bilhão. Fundada em 1992, a C&M Software é uma provedora de serviços de mensageria financeira que permite que instituições sem conexão direta com o Banco Central consigam realizar operações no SPB, incluindo transações via Pix. Essa posição estratégica a tornou um alvo vulnerável, mas altamente lucrativo. Segundo relatos confirmados por autoridades e pela própria empresa, hackers invadiram os sistemas da C&M na segunda-feira (1º) e utilizaram credenciais de clientes para realizar transferências fraudulentas. Os alvos foram contas reservas de ao menos seis instituições financeiras junto ao Banco Central. Como o golpe funcionou A falha explorada permitiu que os criminosos acessassem essas contas e movimentassem centenas de milhões de reais por meio de transferências em cadeia pelo Pix. Estima-se que só no primeiro dia do ataque, cerca de R$ 400 milhões tenham sido desviados. Embora parte do dinheiro tenha sido recuperado graças ao Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, especialistas criticam a ausência de limites automáticos de volume de transações no sistema operado diretamente pelo Banco Central — ao contrário do que é exigido dos bancos privados. “Como é possível movimentar tamanha quantia sem que o sistema detecte irregularidades?”, questionou uma fonte do setor financeiro. Reação das instituições O Banco Central confirmou que a C&M Software foi vítima de um ataque e ordenou o bloqueio imediato do acesso da empresa à sua infraestrutura. As instituições afetadas, como o Banco BMP e o Banco Paulista, informaram que nenhum cliente final teve recursos comprometidos e que o problema se concentrou nas contas operacionais junto ao BC. O Banco BMP, por exemplo, declarou que possui colaterais suficientes para absorver as perdas, e que sua operação segue sem impactos comerciais. O Banco Paulista também ressaltou que não houve transações indevidas ou vazamento de dados. A Polícia Federal deve se juntar às investigações nos próximos dias, ao lado do Banco Central e da Polícia Civil de São Paulo. A C&M afirmou que está cooperando com as autoridades, mas se absteve de dar detalhes por conta do sigilo legal. Em nota, a empresa declarou que seus sistemas críticos permanecem intactos e que todos os protocolos de segurança foram ativados após a detecção do ataque. Fonte: Diário do Comércio

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5,2%

Estimativa para o PIB é de 2,21% este ano A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,24% para 5,20% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (30), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), em Brasília, com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Para 2026, a projeção da inflação permaneceu em 4,5%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,83%, respectivamente. A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%. Em maio, a inflação oficial fechou em 0,26%, pressionada principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial. O resultado mostra desaceleração após o IPCA ter marcado 0,43% em abril. O índice – divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – acumula taxas de 2,75% no ano e de 5,32% em 12 meses. Juros básicos Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar do recuo recente da inflação, as incertezas em relação à economia fizeram o colegiado elevar os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião, neste mês, sendo o sétimo aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária. Em ata, o Copom informou que deverá manter os juros no mesmo patamar nas próximas reuniões, enquanto observa os efeitos do ciclo de alta da Selic sobre a economia. No entanto, não descartou mais aumentos, caso a inflação suba. A decisão surpreendeu parte do mercado financeiro, que não esperava um novo aumento e, nesse cenário, a estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é de que a taxa básica caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente, para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica. PIB e câmbio A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano se manteve em 2,21% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB – a soma dos bens e serviços produzidos no país) subiu de 1,85% para 1,87%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos. Puxada pela agropecuária, no primeiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 1,4%, de acordo com o IBGE. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%. A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,70 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,79. Fonte: Agência Brasil