Rival de Uber e 99, inDrive estreia serviços financeiros no Brasil

A inDrive, plataforma global de mobilidade que já atua em mais de 200 cidades brasileiras, anunciou o lançamento do inDrive.Money, sua nova vertical de serviços financeiros. O produto, já testado em países como México, Colômbia e Peru, chega ao Brasil com a proposta de oferecer crédito acessível para motoristas parceiros. Segundo a empresa, muitos motoristas de aplicativos enfrentam dificuldades para conseguir financiamentos, seja para a compra e manutenção de veículos ou para emergências pessoais. A solução do inDrive.Money é disponibilizar empréstimos de até R$ 3 mil diretamente pelo aplicativo aos mais de 1,6 milhão de motoristas parceiros no país. O recurso pode ser usado de forma livre, desde a manutenção do carro até despesas pessoais. Para Stefano Mazzaferro, country manager da inDrive no Brasil, o diferencial em relação a concorrentes – como a 99, que também oferece serviços financeiros via 99 Pay – está na forma de pagamento. No caso da inDrive, o motorista não precisa emitir boletos nem controlar datas de vencimento, já que as parcelas são automaticamente debitadas de suas corridas. “O motorista não precisa se preocupar em lembrar de pagar o empréstimo. Basta continuar trabalhando que, ao fazer as viagens, o valor vai sendo abatido. Isso facilita a vida do motorista e garante mais previsibilidade financeira”, afirma Stefano em entrevista ao Startups. Além da praticidade, a companhia afirma oferecer taxas competitivas, mais baixas que opções de crédito de curto prazo como cheque especial. A proposta, de acordo com a empresa, é que o serviço funcione como apoio à geração de renda, e não como um produto financeiro com foco exclusivo em lucro. O modelo no Brasil funciona em parceria com a Emprex, fintech especializada em financiamento para pequenas empresas e prestadores de serviços. A companhia é responsável pela infraestrutura tecnológica, análise de crédito e funding, enquanto a inDrive atua como canal de distribuição, utilizando dados de atividade dos motoristas na plataforma para avaliar renda e risco. “Não somos um banco e não temos licença para operar como tal. Nossa estratégia é trabalhar com parceiros locais que já têm expertise e capital para escalar. No caso da Emprex, pesou tanto a tecnologia quanto a experiência dos fundadores no setor”, pontua Stefano. Superapp no horizonte O crédito para motoristas já está disponível em todas as cidades brasileiras em que a inDrive opera. A meta da companhia é que, nos próximos seis a oito meses, entre 30% e 40% da base de parceiros no país tenha acesso ao produto. O foco inicial é consolidar a oferta de crédito antes de avançar para outras soluções financeiras. “Antes de lançar novos produtos, vamos expandir para outras audiências. Hoje falamos com motoristas, mas no futuro podemos chegar a oferecer soluções para passageiros também, pois essa é uma necessidade de todo brasileiro”, explica Stefano. Globalmente, a inDrive vem ampliando sua atuação para além do transporte por aplicativo, com verticais de entregas, fretes e até testes no setor de alimentação. No Chile, por exemplo, a startup opera dark stores próprias para delivery de comida, em fase de testes com pequenos estoques para atender clientes próximos. No Brasil, a empresa já oferece serviços de logística de last mile, mas descarta entrar diretamente na disputa pelo mercado de food delivery – pelo menos, no curto prazo. “É uma discussão importante, principalmente no contexto dessa guerra comercial do food delivery no Brasil, com muitas empresas entrando no setor”, comenta Stefano. Ele não cita nomes, mas só nos últimos meses houve movimentações relevantes, como o retorno da 99Food, com investimento de R$ 500 milhões em 2025, e a entrada da Keeta, marca do grupo chinês Meituan. Já o iFood, líder do mercado local, aumentou o orçamento em 25%, para R$ 17 bilhões, em meio ao aumento da concorrência. “Nossa perspectiva não é competir com os players de food delivery. Eles têm budgets gigantes e a inDrive ainda é relativamente pequena no Brasil. O que buscamos é fortalecer o core business, de transporte via app, ao mesmo tempo em que agregamos serviços adicionais por meio de parcerias, em uma estratégia de longo prazo de construção de um super app. Em alguns mercados onde somos líderes esse movimento é mais rápido; no Brasil, vamos de forma moderada, com foco em rentabilidade”, afirma o executivo. Potencial de mercado O Brasil está entre os cinco principais mercados da inDrive no mundo, com impacto econômico estimado em R$ 10 bilhões desde a chegada da empresa em 2018. Para o grupo, o país representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. “Apesar da força dos competidores, o Brasil ainda tem muito espaço. Nosso objetivo é crescer de forma sustentável, sem abrir mão da rentabilidade”, observa Stefano. Com mais de 21 milhões de usuários e 500 milhões de viagens realizadas, a inDrive enxerga potencial de expansão especialmente em cidades pequenas, médias e regiões periféricas, onde a concorrência é menor. Também estão em estudo novas soluções de meios de pagamento, incluindo aprimoramentos no uso do Pix dentro do aplicativo. Em mercados como a Indonésia, a companhia já testa um modelo de ride now, pay later voltado a passageiros, que permite realizar corridas mesmo sem saldo imediato. “O Brasil é um mercado muito difícil em termos de competição, então realmente queremos expandir na região uma vez que os produtos já tenham sido testados em outros países”, afirma Alexander Kurchin, head de negócios e growth para inDrive.Money. “Queremos empoderar a comunidade em geral com acesso aos serviços que ela precisa. Para isso, aproveitamos o intenso uso de dados e tecnologia avançada para tomar decisões assertivas”, completa. Fonte: Startups
Só 6% dos brasileiros pagam com dinheiro físico; Pix vira opção preferida

A chegada do Pix revolucionou os hábitos dos brasileiros e derrubou para 6% o percentual de brasileiros que utilizam frequentemente o dinheiro físico como forma de pagamento, mostra levantamento realizado pelo Google. O que aconteceu Percentual de brasileiros que usam dinheiro cai de 43% para 6% em cinco anos. A variação entre 2019 e 2024 foi apresentada pela pesquisa “Pagamentos em Transformação: do Dinheiro ao Código”, realizado pelo Google. Somente na passagem de 2023 para 2024, a utilização de cédulas e moedas recuou 11 pontos percentuais. Estudo com base na visão do consumidor justifica os resultados. Thais Melendez, líder de insights estratégicos do Google, explica que os valores condizem com a lembrança da população de ter utilizado outros meios de pagamento. “Do ponto de vista do consumidor, o dinheiro físico passou a ter um uso pontual, para ocasiões específicas. O que a gente usa mesmo no dia a dia passou a ser as transações digitais, o Pix e o cartão de crédito”, afirma ela. Dados do BC ainda apontam para uso do dinheiro. Volume de dinheiro em circulação cresceu 13,74% em cinco anos. Dados oficiais do BC (Banco Central) mostram a evolução constante do meio circulante, que terminou o ano passado com 7,72 bilhões de cédulas nas mãos da população. Apenas em 2024, a alta foi menor, de somente 0,99% em relação ao ano anterior, mas apresenta um resultado na contramão do apresentado pelo Google. Banco Central diz acompanhar a evolução dos hábitos da população. Em relatório realizado no ano passado, a autoridade monetária avaliou que 31,7% dos brasileiros ainda utilizam o dinheiro físico com certa frequência. O resultado é 12,5% menor do que aquele contabilizado pelo mesmo levantamento em 2021. Metade dos brasileiros quer abandonar o dinheiro físico em cinco anos. O levantamento do BC mostrou ainda que 53,4% revelaram o interesse de abandonar totalmente o uso das cédulas físicas até 2030. Para 31,6%, a frequência de utilização será reduzida e outros 8,7% preveem a manutenção da frequência. Protagonismo do Pix Abandono do dinheiro físico é justificado pela ascensão do Pix. O meio de pagamentos instantâneos criado em novembro de 2020 lidera a preferência dos brasileiros. Segundo o levantamento do Google, o Pix foi utilizado por 93% dos brasileiros e representou quase metade (47%) das transações de pagamento no Brasil. Acesso da população à rede bancária contribui para sucesso do Pix. A digitalização e a evolução do número de bancarizados durante a pandemia são lembradas por Melendez como fatores determinantes para a aceitação do sistema do BC. “O brasileiro tem computadores, celulares e acesso a outros meios digitais para realizar pagamentos, além de ser uma população muito favorável às novidades”, observa ela. O Pix é o produto com maior adoção e com maior crescimento em utilização.Thais Melendez, líder de insights estratégicos do Google. Adesão ao Pix é generalizada em todos os grupos sociais. Conforme o estudo, o meio de pagamentos é aquele mais utilizado entre a população de todas as idades, faixas de renda e regiões. Ainda assim, aparecem em destaque as preferências das classes D e E (74%) e entre os pagadores da geração Z (76%). “Mas mesmo para a população que tem mais de 55 anos, o Pix ainda é o meio preferido para 42%”, destaca Melendez. Segurança e facilidade estimulam os meios de pagamento. A pesquisa do Google mostra as avaliações no topo das motivações, com 41% e 37% das menções, respectivamente. Na sequência, aparecem a isenção de taxas para utilização (36%), o recebimento de desconto pelo uso do meio de pagamento (33%) e a agilidade (32%). A liderança das preferências ajuda a entender a ampla adesão ao Pix. Utilização do pagamento instantâneo entre as empresas também aumenta. O valor das transações de pagamentos via Pix para pessoas jurídicas cresceu 53% diante da aceitação do meio de pagamento em 91% dos estabelecimentos. “As pessoas estão pagando mais para empresas e negócios, comprando mais, utilizando o Pix e fazendo compras de mais alto valor”, analisa a líder de insights do Google. Uso de cartões segue frequente Pagamentos no crédito ou débito mantêm participação no dia a dia. A utilização dos mecanismos foi mencionada por, respectivamente, 83% e 74% dos entrevistados pelo levantamento do Google. “O cartão de crédito se mantém como segundo meio de pagamentos mais utilizado nos últimos cinco anos, mostrando solidez”, diz Melendez ao ressaltar a presença média de dois cartões por pessoa. Para 58% da população, cartão de crédito passou a ser mais utilizado. A avaliação considera que 20% dos consumidores são atraídos por recompensas de benefícios. O mesmo percentual é mencionado por aqueles que tiveram seu limite para transações ampliado. Os benefícios favoritos são a ausência de anuidade (81%) e programas de fidelidade (57%). Fonte: UOL


